“Isso vai mudar minha vida?”

Hoje em dia, um dos maiores desafios para todas nós é manter o foco no que nos interessa. Diante das tentações para distração, se não tivermos objetivos muito claros e uma disciplina quase que de monge, iremos sem dúvida, sucumbir e perder tempo, diante de mais um vídeo, um post ou comentário sem necessidade.

Eu me lembro que em 2014, quando fiz o Caminho de Santiago de Compostela (32 dias a pé, percorrendo um total de 800 kilômetros), conheci um brasileiro no percurso. Certa manhã, ao cruzar com ele durante a caminhada, decidi conversar amenidades. Conversávamos sobre cinema, quando em um momento fico espantada em saber que ele não havia assistido um determinado filme, uma super megaprodução daquele ano, cheia de efeitos, comentários da crítica, enfim, perguntei de novo, e dessa vez, me sentindo até um pouco “superior” por ter assistido: “Sério mesmo? Você não sabe nadinha desse filme?” Ao que ele respondeu pela segunda vez que não, decidiu então me provocar:

“Me responde só uma coisa: assistir esse filme vai mudar a minha vida?” Respondi com sinceridade, que não. Ele sorriu tranquilamente, e mudamos de assunto. Assim continuamos a caminhada e a conversa por mais alguns minutos juntos, até cada um manter seu ritmo novamente e se distanciar.

A pergunta dele foi de uma lucidez simples e brutal, e me fez refletir sobre muitas coisas que eu estava desempenhando e que pouco, ou nada, agregavam à minha vida. A partir daí, ela começou a ser a minha linha mestra para definir as mais variadas escolhas.

Então, depois desse dia, antes de mergulhar de cabeça no piloto automático e repetir comportamentos que esmagam a minha produtividade, passei a me perguntar: “Isso que estou prestes a fazer, vai mudar a minha vida de que forma?”. E somente quando eu tenho uma resposta clara para essa dúvida, é que sigo em frente no propósito ou abandono a ideia.

Abaixo eu listo alguns exemplos de onde aplico essa técnica:

  • Discussões em grupos de WhatsApp. Muitas vezes é pura vaidade me posicionar, e pior, meu comentário pode gerar conflitos desnecessários com alguns integrantes, então, por que perder esse tempo?
  • O mesmo vale para respostas em publicações nas redes sociais. Há pessoas que iniciam polêmicas em cima de argumentos rasos, e quando eu sinto vontade de responder, respiro, tomo um copo d’água (repito umas 10 vezes o *mantra da libertação), e lembro que não, não preciso investir essa energia.
  • Quando sou atacada direta ou indiretamente pela minha opção política. Nem perco tempo revidando.
  • Assistir uma série só porque está na moda?
  • Comprar mais uma peça de roupa?
  • Ficar numa fila de espera gigante para conseguir mesa num restaurante badalado, mas cuja comida nem é tão inesquecível assim?
  • Discutir com um uma pessoa vaidosa, que insiste em ter razão… eu tenho logo preguiça dessa pessoa e deixo ela continuar a conversa acreditando que é top.
  • Perder tempo explicando meu posicionamento para alguém, que já deixou claro que tem preconceito (não importa o tipo).
  • Comprar o celular mais moderno? (Juro que até tento me convencer de que vai sim mudar minha vida, mas a lógica fala mais alto e nunca compro).
  • Tentar agradar a todos? Essa ideia é sem dúvida, um enorme desperdício de tempo. Pense também nisso.

Então, há muitas formas de perdermos tempo dando foco ao que não nos trará um resultado significativo. Portanto, que tal olharmos para nós mesmas, e de forma vigilante nos policiarmos para não desperdiçarmos nossa atenção com o que não interessa ou não vai nos levar a lugar algum?

E você, que estratégias utiliza para gerenciar seu tempo e não perder de vista seus objetivos?

*Mantra da Libertação: quando estiver diante de uma situação em que você sente vontade de inferir, fazer algum comentário, repita no mínimo 10 vezes a frase: TOMA CONTA DA TUA VIDA. É fato, você vai perceber, sem dúvida alguma, como sua vida vai mudar após a prática desse mantra.

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