Ser ou não ser empregado – um dos dilemas provocados pela inteligência artificial

A Inteligência Artificial está reconfigurando indústrias, serviços e diversas modalidades de trabalho, em todos os segmentos, exigindo que trabalhadores, empresas e governos se adaptem rapidamente.
O mercado de trabalho global vivencia mais uma transformação sem precedentes, impulsionada pela rápida evolução tecnológica, fragmentação geoeconômica e incertezas econômicas.
São tantas transformações que fica difícil lidar com essa avalanche tecnológica inovadora no trabalho. O impacto que a IA vem provocando no mercado de trabalho se transformou num catalisador de mudanças profundas, especialmente no formato tradicional do emprego. Com as empresas utilizando a Inteligência para otimizar processos e automatizar tarefas, há a necessidade de reavaliar as habilidades e a natureza do trabalho como conhecemos.
E com tantas oportunidades à mão, o dilema se tornou outro: ser ou não ser empregado formal.
Muitos profissionais têm optado pelo trabalho híbrido, só que em outro formato: uma parte do tempo em uma atividade que lhes dê segurança (talvez uma atividade fixa) e outra parte do tempo atuando freelancers. A tendência desse novo conceito de “trabalho” é que ele se transforme num modelo mais fluido e dinâmico, no qual as pessoas possam ser mais autônomas, atuando como freelancers, empreendedores ou em “projetos” temporários.
O dilema de ser ou não ser empregado, na era da Inteligência Artificial, está desafiando a nossa visão tradicional de trabalho, carreira e até mesmo o conceito de identidade. A IA oferece possibilidades inusitadas e complexas para o futuro do emprego.
A automação inteligente é uma delas. Ela permite que processos repetitivos e atividades de baixo valor agregado sejam realizados de forma mais eficiente, gerando, por um lado, aumento de produtividade. Em muitos setores essa automação tem provocado demissões ou negociações no formato da prestação de serviços.
Nesse contexto, muitos profissionais com qualificação avançada, têm optado por vender sua força de trabalho a várias empresas, o que lhe permite diversificar suas atividades e, principalmente seus salários.
Operar com vários contratos de consultoria, trabalhar em casa e utilizar a IA como sua principal fonte de apoio está se tornando uma excelente opção para alguns profissionais aposentados, que não desejam mais a rotina do trabalho formal e, para jovens em ascensão, que não têm disposição de passar 20 a 30 anos em uma mesma empresa.
Embora a IA seja responsável pela substituição de alguns empregos, ela também cria novas oportunidades. Profissões relacionadas ao desenvolvimento, manutenção e melhoria das tecnologias de IA estão em crescimento. Além disso, setores como os da engenharia, design, marketing, educação, saúde e entretenimento estão cada vez mais se beneficiando das capacidades da IA para criar novas demandas de trabalho.
Esse cenário revela uma verdade importante: os empregos não estão desaparecendo eles estão se transformando. Na verdade, não é um novo formato de emprego, mas uma nova forma de trabalho e de prestação de serviço.
E, para se manter competitivo no mercado de trabalho na era digital, o trabalhador precisa estar disposto a aprender e a desenvolver novas habilidades e a arriscar a utilizar novos formas de vender o seu conhecimento.
Ser ou não ser empregado na era da IA é, em última análise, uma questão de adaptação. Ela está aqui para ficar e sua presença no mercado de trabalho é inevitável. Em vez de temer o avanço da tecnologia, o foco deve ser em como aproveitar suas capacidades para criar novas oportunidades. O futuro do trabalho será um jogo de reinvenção constante, no qual os seres humanos precisarão se adaptar a um cenário em que as habilidades emocionais, criativas e interpessoais se tornarão ainda mais valorizadas.
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