Envelhecer: será que estamos prontas?

A busca pela eterna juventude acompanha a evolução da humanidade a séculos. A pele perfeita, sem rugas, o corpo rígido, a mente sã, como se o tempo não tivesse passado. E para isso a indústria vem ano após ano investindo em fórmulas fantásticas, pílulas da beleza, colágenos milagrosos, fora toda espécie de produtos clandestinos que jorram pelas redes sociais a fora. E com toda essa exposição nas redes sociais e filtros, cada vez mais cresce essa necessidade de se manter jovem, afinal a “fulana” estava parecendo tão jovem nos stories dela essa manhã, nem parece que ela é velha.

E o que é ser velha?

Em geral, a literatura classifica, didaticamente, as pessoas acima de 60 anos como idosos e participantes da Terceira Idade. E segundo o IBGE a expectativa de vida do brasileiro é de 77 anos. Então como aproveitar a aproximação dessa “terceira idade” com felicidade e plenitude?

Até os 30 anos eu acreditava que realmente era possível se manter jovem cuidando da aparência, ou seja, evitando as rugas, aqueles pneuzinhos, as famigeradas celulites e os quilos a mais. Confesso que tinha até preconceito, pois achava que as pessoas a partir dos cinquenta ficavam alienadas as tecnologias e novidades, por tanto não conseguiam mais serem tão produtivas. Mas, os 40 chegaram e junto com ele veio a percepção de que precisaria cuidar de outros aspectos como: autoconhecimento, proposito e como eu gostaria de me relacionar comigo e com os outros. E como se não bastasse, deveria acrescentar atividades que além de trabalhar o corpo, cuidasse da mente.

Nesse momento entendi que me incomodava sim, em ver as diferenças no corpo, na forma de me movimentar, mas acima de tudo não estava pronta para desistir de continuar sonhando, planejando, aprendendo, criando algum projeto novo e acima de tudo não estava pronta para perder pessoas queridas. Porque é uma das consequências de envelhecer, perder as pessoas mais velhas.

Por tudo isso, achei um absurdo o posicionamento das jovens da universidade de Bauru, que debocharam de uma mulher de 41 anos por estar realizando o sonho do ensino superior. O nome disso é Etarismo, um comportamento que será cada vez mais presente num país que não respeita e nem admira os mais velhos.

E na mesma semana tivemos a atriz sino-malaia Michelle Yeoh fazendo história no cinema como a primeira atriz asiática a ganhar o Oscar de Melhor atriz aos 60 anos. Michelle no seu discurso disse “…Senhoras, não deixem ninguém dizer que vocês já passaram do seu auge, Nunca desistam.”

E você, já está pensando como deseja envelhecer?

Eu decidi envelhecer com felicidade e saúde. E o corpo? Vamos cuidando com carinho e atividade física para dar conta do que a menina que mora nele apronta.

Excelente semana Donadelas!!

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Comentários

  1. Denise querida, muito bom você também trazer esta reflexão por aqui. Precisamos falar MUITO sobre o etarismo e todos os estereótipos constituídos culturalmente pela sociedade. As mudanças só acontecem quando colocamos eles na mesa, discutimos, refletimos e damos visibilidade a algo que vivia no obscurantismo.
    Parabéns pelo artigo. Beijo beijo.