Desafios emocionais no ambiente profissional: uma experiência pessoal

Esta semana eu não trabalhei direito, e o motivo foi emocional.

É estranho para você? É estranho para mim. Sempre fui tão racional, cartesiana, preto no branco. Meu lema é foco no trabalho, na produtividade, “missão dada é missão cumprida”.

E de repente eu me vi sem energia, meio enjoada, sem disposição para levantar do sofá e fazer minhas obrigações. Inicialmente achei que ficaria doente, senti meus olhos febris.

Será dengue? (“Luciana, você deveria ter passado repelente naquela viagem para o interior”, pensei). Será rotavírus, como várias pessoas da empresa pegaram? (“Luciana, você deveria ter usado máscara, especialmente quando pegou aquele elevador lotado”).

Não fui para a empresa, não abri meu computador nem acessei os e-mails. Malmente respondi alguns WhatsApp´s de trabalho. Ignorei as mensagens de fornecedores e as mensagens pessoais.

Desmarquei o cinema com uma amiga e não fui à casa da minha mãe. Acho que vou ficar gripada, disse para quem eu dei bolo. Medi a temperatura, tudo normal. Na hora de dormir, organizei a mesa de cabeceira com diversos remédios (febre, enjoo, dor de barriga, “por que tenho certeza de que durante a madrugada vou piorar”).

No dia seguinte acordei outra pessoa, ainda estava triste, mas a disposição estava de volta, o enjoo tinha passado, estava surpreendentemente melhor!

Também tinha passado o dia do aniversário do meu pai, o primeiro depois que ele morreu. Primeiro fevereiro sem festa, sem reunir os amigos ou a família para comemorar o dia em que ele faria 77 anos.

Pois é… Eu, tão racional e prática, fiquei muito mal e não foi por dengue ou rotavírus. A febre que eu estava esperando não veio, a dor de barriga não veio… aí caiu a ficha de que realmente foi emocional.

Onde eu quero chegar depois de tanta lamúria?

Por um momento eu pensei em transformar esse artigo em “5 dicas para produzir mesmo quando se está mal”, ou “Como evitar que problemas pessoais afetem seu trabalho! ”, mas não farei isso. Vou me dar ao direito de não sentir culpa por não ter trabalhado, assim como me dei ao direito de não escrever este artigo sobre alguma técnica de marketing.

Estou vivendo na prática que o autocuidado emocional é tão importante quanto o profissional. Não há problema em reconhecer e respeitar nossas emoções, permitindo o tempo necessário para lidar com nossos sentimentos e encontrar o equilíbrio entre trabalho e bem-estar pessoal.

Artigos relacionados

Comentários